um autocarro da carris tem capacidade para 88 passageiros mas o que se experiencia é uma lotação de bem mais que 100 pessoas de todas as idades e (des)confortos que se amachucam para poder chegar aos seus destinos (escolas. trabalho, enfim…) depois de esperarem os 29m que apareciam na tela e mais os outros tantos que vão aparecendo manhã fora. vens com a bengala, com a pressa, com a mochila inchada e entras no autocarro finalmente…aí pode acontecer que passadas três paragens o condutor te informe que “a viatura não vai prosseguir e que os passageiros terão que sair e encontrar outro meio”. se tiraste bilhete e não tens o passe terás que pagar de novo para continuar a tua deslocação. e ainda pode acontecer que entre o revisor, ou vários revisores, que tratam todos como criminosos (daqui ninguém sai!) e outros tantos polícias que parecem não se aperceber que aquela “viatura ” excede a lotação em muito…

hoje quando desci de minha casa na ajuda encontrei a minha moto e a do bruno com os cadeados presos a coisa nenhuma pois alguém útil tinha exercido a utilidade de serrar o poste onde se prendiam porque o “incapacitado” que tinha direito àquele lugar e àquele poste específico já não existe nestas paragens. disse-me o gui que anda de bicicleta com uma máscara de super herói e que nunca recolhe a casa para jantar sem ouvirmos uma infinidade de berros da sua mãe, que vieram já noite fazer a serração do poste. e isso tu podes fazer…serrar o poste rentinho porque é isso que te mandaram fazer deixando as motos seguras a lugar nenhum depois das 10 da noite sem deixar nem uma carta nem um postal.

também o senhor que vem contar o gás estava no outro dia aflito porque o seu trabalho aumentou incrivelmente agora que alguém que tem cota na empresa achou que não se podiam por os avisos colados do lado de fora que ficava feio…e lá estava ele a tentar que alguém lhe atendesse nos prédios para colar do lado de dentro que viria contar o gás amanhã.

hoje ouvia alguém que esteve no interior das políticas partidárias a constatar que quando caíram as torres o estado americano só falava de vingança e ódio enquanto nas ruas os cada umaum se lançavam a fazer possível atravessar a dor que se fazia presente, lidando na acção com aquilo que os grandes que nos governam negligenciam.

pois se calhar é preciso acolher um outro considerar de anarquia que escuta a importância de uma confiança na auto-regulação para lá das hierarquias e suas expressões que parecem alimentar um sentido de vida que não nutre a vida, que espalha impossibilidades e absurdos…

no outro dia estivemos escutando um coração do barreiro onde nos diziam para ter cuidado com a população cigana que lá habita.

pois mais uma vez não me parece que seja esse “outro” estigmatizado que nos dificulta o respiro. o outro sou eu, nas minhas infinitas multidões de ser.

tenho que aguçar o ser-estar-fazer naquilo que se me-nos impõe como irrecusável.

seremos então sempre “filhos de uma nação”? quem inventou as fronteiras?

sofia

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