frente ao que agora é Infame e já foi prémio valmor no intendente, o 57 do largo do intendente, que nos valeu em tempos uma reflexão sobre a especialização em “contentores de fachadas” e que foi anunciado por todos aqueles que agora nos “governam” como o lugar de nascimento de residências para estudantes com o desejo de circulação de gentes novas e outras para o caminho “saudável” da cidade, vai tornar-se afinal em mais um condomínio fechado de luxo.

bom…

quando alguém parca o carro meio de fora e o elétrico não passa, uma série de outros elétricos não passam e, em atravessando já o martim moniz colapsado de carros parados, há quem possa analizar o sintoma da paração e começar a exigir que se acabe com os elétricos…é o mesmo no corpo que vai sendo corpo que sente um mal num pé e vai directo àquele mal sem ouvir como se terá feito neste assim que agora aparece.

neste corpo-mundo que vamos sendo muitas vezes nos horrorizamos com as borbulhas que se fazem presentes, agindo no restruturar daquela pele, sem ouvir o que vai estando na constante reconfiguração corpo-mundo que continuamente nos exige uma re-adaptação ao que vai sendo esse “mundo” que nos vai também criando enquanto corpos.

não se é corpo sózinho (insisto) e não se é cidade sem ouvir o entre corpos que continuamente a geram.

eu posso não ter fundos que me permitam competir com os muitos euros que lavram a compra da cidade, mas posso pensar-agir naquilo que permite abrir bunkers de luxo onde eu quero continuar a atravessar-viajar-sentir.

(re)aprendi que não se pode sentir sem sentir que se está a sentir.

onde mora essa raiz móvel da violência e do poder? onde me inibo de estar-com aquilo que vou sendo eu? onde o lado-a-lado se faz mole só porque me escondo na incapacidade de sentir que estou a sentir?

existe uma cidade antes da cidade como existe sempre um corpo antes do corpo.

aquilo que vou sendo hoje não é só um aceitamento dos atravessamentos que se imprimem em mim, a cidade, ela própria, vai ter que se aceitar enquanto movimento e distinguir o que pode ou não pode.

não é o mesmo corpo, a mesma cidade, que engole um condomínio fechado de luxo no seu coração.

quem vou sendo então?

sofia

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