2017-06-12

desde o Rio a percorrer distâncias.

a percorrer sonhos.

sabem do que lembrei? desta música de lula queiroga que pedro luís canta com ney matogrosso e que mete uma noite na gente dizendo “pedras sonhando pó na mina. pedras sonhando com britadeiras. cada ser tem sonhos a sua maneira…, cada ser tem sonhos a sua . . . ” , talvez isto seja sobre as fronteiras entre pessoas. e sobre os buracos que estão por se chocar nisto que vai-se sendo afora e adentro com’a cidade. e sobre o que de repente faz-se sentir pesar com o corpo. faz tempo, escrevo: algumas vozes têm o hábito de dizer que não sabemos por onde estamos indo, e que por isso o melhor seria comprarmos uma prancha de surf compatível com o tamanho da área de serviço da nossa casa. testando os dentes desde pequenas aprendemos, não sem esforço, que é preciso morder. o mais difícil em alguns casos é mesmo tomar gosto pela coisa – o que é de fato o mais coerente, se estamos pensando em um tipo de fortalecimento. perguntam com frequência: mas de que mais vocês precisam se já lhes carregam bem de vida só porque são bonitas? exatamente isso: aprender a nadar, a chutar a bola, a empurrar. a gritar: aprender a gritar. sabe do que parece se tratar a etiqueta? de um tipo fatal de apaziguamento. de uma tentativa de suspender a realidade ao ponto gravitacional zero. porque andar faz sentir o peso. amar faz sentir o peso. carregar sacos de laranja faz sentir o peso. e repare: isto nem é um lamento, é mesmo uma constatação num dia sóbrio. “para maiores esclarecimentos sobre a textura dos dias conferir o calendário menstrual”.

a conferir a lua: almost full. a conferir os ritmos da casa onde se dorme. a conferir a juventude próxima: fundo insurgência fundo. a conferir as contas: apertadas. a conferir conhecidos espaços de repouso: deslocados. a conferir o mar: suave, recuado, silencioso. a conferir a dança: quente, veloz, atirada: na verdade um passeio com a bicicleta por um terreno liso e retamente direcionado. vulgo “orla”: aquém da orla, Copacabana é cheia de frestas. café com cardamomo no restaurante Bhagdad, o mesmo onde há dança do ventre para se ver às sextas e está próximo ao cinema Roxy que sobrevive enorme na rua e não dentro de um shopping. rodízio de sopa a R$17,90 no restaurante Constante onde se pode estar tranquila e demorada. barracas de frutas e legumes boas de se olhar. todo uma sorte de camelôs avivando as calçadas. todas as pessoas que moram nas ruas e que te chamam. as ruas largas as pequenas a praia e encaracolar-se cada hora num caminho esquecendo qual rua vem depois da qual se está. divertir-se pela confusão das lojas que vendem bacias de plástico, copos de vidro, colheres de silicone, panelas maiores que o espaço de duas bocas do fogão, cobertores felpudos com rosas artificiais, gatinhos chineses dourados… o cheiro da loja de bolos detrás do ponto de ônibus onde se embarca para o Centro da cidade. a sorveteria e a padaria que são vizinhas e são pequenas. descer do prédio, virar a primeira a direita, andar para a frente e ainda no meio de  prédios-prédios-prédios ter como horizonte o horizonte marítimo. de repente e é claro que não do nada, dar-se conta de grandes conquistas junto aos movimentos dos mundos próximos. para alguém que cresce em um subúrbio 1/2 rural, 1/2 comercial o Centro e a Zona Sul podem ser por muito tempo para sempre uma pele estrangeira assim como o é a casa da qual se sai quando a ela se volta. vejam: tensigridade. palavra nova. presente recente: mover-se discretamente atravessando a Copacabana que vista em larga escala soa exibicionista, segregadora, esnobe: mover-se próxima às pessoas que trabalham ainda que se tenha um “trabalho para nada”. mover-se em incômodos diários na oposição

patroa-é-loira-tem-olhos-azuis-e-se-move-como-uma-garça-não-grita-se-grita-tem-razão-tem-dinheiro-pra-pagar-10-reais-nuns
-maços-de-ervas-para-o-fígado

[versus]

empregado-não-fala-se-fala-é-“desculpa”-e-é-conversa-com-o-empregado-do-prédio-da-frente-anda-de-uniforme-que-é-pra-não-ser-confundido-com-morador-imagina-que-constrangimento-se-a-moça-do-807-tem-tesão-nele

tensigridade,
exercícios de

ir
voltar
voltar
ir
descer
subir
afastar
voltar
dizer não
voltar
tre e e mer
subir
d e s a d e r i r
e sim
descer
fechar
abrir
ah.
parar
deitar – – – de lado
dizer sim: te vejo
dizer: sim, te vejo
obrigada, eu mesma levo
tudo bem, pode me chamar pelo nome
ok, volto outro dia. esse valor não posso pagar.
não vai dar pra dar moeda hoje.
se for te prejudicar não venda.
pára de jogar praga, não tenho dinheiro.
gritar
falar
falar
olhar também
também desviar
voltar
enfrentar
quer ver minha carterinha de estudante?
quer tangerina?
posso me sentar aqui?
eu tenho cara de otária?
eu tenho cara de otária.
ir
ir
diminuir
ah_umentar
percorrer
shiu
soprar para fora.
engolir
subir
ah.
ventar,
abrir
abrir
preservar

?
.
.
.

prudenciar
esticar
retornar
avançar
retornar
avançar
avançar
pular. sim. pular.

CONT
INU
EA
N
A
D
A
R

 

 

laaura

 

 

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