o prazer de esticar um braço, rebolar, olhar para o céu, tocar o ar, sentir a terra a beijar os pés…dançar. há uns anos fui descobrindo que o movimento pode fazer-se gesto e que a dança poderia ser a poesia do gesto. cada forma que se vai fazendo forma, dança a dança que dança…assim possa…e ninguém sabe o que pode um corpo! seja corpo água, pássaro, luz,nuvem, flor, erva, som, insecto, girafa, peixe. nunca ressoou em mim a tristeza dos humanos (muitos deles supostamente dedicados à “dança”) quando expressam a incapacidade de “criar” um momento dançante…não que em sofiez a dança se faça linda e brilhante a todo o momento mas a alegria, o amor de poder dançar, o agradecimento de poder dançar é uma força imensa!

acompanhei ao longo do caminho da existência vidas complicadas em que o movimento não podia mesmo aparecer, em que o corpo físico se viu enjaulado numa imobilidade cruel. bem dentro do meu coração acompanhei os últimos anos de quem amo muito, alguém que em criança era selvagem e aventureira e atrevida, alguém que se foi fechando numa concha de não movimento até que qualquer gesto se tornou impossível…e nós humanos aqui a desperdiçar a vida, a inventar complicações que justifiquem a nossa falta de girar, gritar, saltar, existir!

o sopro é um grito, um sussurro, uma canção, um beijo, um sopro de amor de existir…não é uma boa dança ou uma dança feia ou…é dança, com a companhia de quem vibra lado a lado, a margarida na atmosfera e o bruno na música, lisboa no seu lisboetar…

e sabem porque danço? porque posso!

e que o mundo dance! que a dança dance! que o corpo possa!

sofia

 

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