tenho encontrado com ele. kazuo ohno. pela magia de um livro
mesmo aqui, na posição que se faz meu corpo para escrever,
a implicação das mãos e do rosto no devir movimento
é que é sobre ânima

hoje mais cedo sentei com o café que queria despertar o bom que se encobria pelo desajeito do inicio do dia. café é forte e bom, forte e bom
inebriante, lateja minhas dores e as camadas densificadas sob a pele. por que o tomo…?

e ele, kazuo ohno, me fala das flores,
do encontro com as flores
há flores à minha frente.
estou sobre a terra.
e este café já não me cabe, é muito.
é que não é meu, não é todo a se tomar…

café é o que está aqui comigo. do não quero mais ao querer dar, ampliar o gesto e o momento no que poderia ser este resto.
soprá-lo à terra, oferecendo o que preparei
foi que neste instante o gesto se fez pela qualidade de um pensamento e o café encontrou a terra e a terra pelo café comunhou comigo
vi a dança renascer
adormecida que estava…

tudo porque eu ia dar uma volta com a mochila cheia, a cabeça cheia
e a viagem se deu em frente à casa, entre gatos, pássaros, nuvens, sol, flores, eu, kazuo ohno, formiga, mosquito e árvore

as flores à abrir meus olhos
mãos, rosto, mãos, tronco, toque no chão.
cheiro, de terra
ventre que arredonda, gira, respira, repousa
é gato, pois ele me viu gato
e revoada de pássaros faz meu peito passar às mãos. voa…
recolho, desperto, corte. sopro
mosquito, sopro…
vê se a dança pode estar de pé. de pés eu ando, ou por eles andada, até a árvore ali

faço amor com árvore, escuto-a me falar, sussurrar no ouvido pelos sulcos que são caminhos de outros bichos. seiva que a faz me inundar
me inundar da leveza do amor

pois tocamo-nos todas

 

júlia lá

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