Paro no caminho. É beira da praça. “Tem 5 minutos guardados dentro de cada cigarro”, diz a música. Fumo um tempo de estar.
O sol tem filtro, nuvens. Hoje o dia tá fosco e a ansiedade vai baixando-subindo pela parede do endométrio… já fazem quantos dias?
O sol esquenta os corpos e é possível acreditar que estamos aqui “seres humanos” vivendo algo de paz. Será que está só no meu interior? Por alguns minutos? Horas? Dias?
Pelo texto escapa o que ainda sinto por perto, de maneira quase oposta (?). A sensação que me acompanhou nas últimas semanas, talvez antes ainda, vai e volta isso (?): Não existe paz.
O existir “humano” com a insegurança de que tudo pode acontecer. Ou melhor, de que temos certeza de que uma coisa vai acontecer. “A certeza de todas as incertezas”, dizem. E que pode acontecer logo ali na esquina. Ou na terra do Povo Gamela. Ou numa pancada “surpresa” durante uma manifestação. Nos mísseis na Coréia do Norte. E mais um monte de imagens que escapam pelas “chamadas de notícias” na internet ou saem pela televisão que insiste em comer o almoço das pessoas.
Do global ao local, o corpo. O corpo com suas escalas. Espaços-tempos. Sente-age. Pulsa o que está tão longe… ou logo ali na esquina. Do real ao virtual. “A certeza de todas as incertezas”. O que é? A morte? E o que realmente sabemos a respeito?
É difícil falar sobre isso em tempos de “Temer”, quanto “Temer” vai muito além de um sujeito… é verbo, que extrapola fronteira. O que sinto é “material”, é “físico”, tá na tv, tá escancarado, tá na esquina, tá dentro de mim… mas sim, também está no sol que sinto agora… também está “na cara” o sol que sinto agora… enquanto escrevo o sol que já estava…
Lembro da confiança. Do corpo que pulsa a dança de hoje de manhã. A inspiração com a aula da Juliana e outros tantos vivos corpos. Com a expiração que convida as possibilidades múltiplas de cada novo movimento. O começar. O começar outra vez. E outra vez. É gostoso. É bom. Talvez a mágica que dá sentido à vida (?). Como um motor. Onde mora? Onde está o sol?
Lembro do texto que a Guida escreveu sobre descoincidir consigo próprio. Que me conta sobre confiança plantada… plantada com tudo que há de vivo. Sigo sem muito saber por onde caminha o que continuo escrevendo. Agora o sangue desce por entre as pernas e sinto um pouco de paz (?).
O sol é como uma meta_fora. O céu azul é como uma meta_fora.
Meta_fora como a delícia da batata frita que às vezes é mais delícia do que a própria batata frita que está fora… mas que vai prá dentro… e segue prá fora…
Agora está sendo possível ficar sentada na beira da praça por alguns minutos. No enquanto ficar de bobeira na praça pode gerar tamanha insegurança… agora continua sendo muito possível ficar sentada na beira da praça…
Uma moça se aproxima… num quase-para, para. Tira os casacos e guarda na mochila…
Nos olhamos… está quente… faz sol…
Camila / Curitiba

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