IMG_2877Todos os dias, enquanto desço da Gloria para a Baixa, vejo a cidade dançar. A música nos ouvidos soma-se aos sons da cidade, transformando meu corpo em seu movimento rápido, a cada passo; algum passante, por sua vez, observa-me dançar, enquanto desço-caminho, escuto-canto as paisagens urbanas que resistem, as que se transformam, a malta local e a turística que cruza o caminho, eu a cruzar pelos seus. Imagino uma coreografia da cidade e outra do olhar. Essas caminhadas são atravessadas por notícias do mundo, seus retrocessos, os novos capítulos do golpe no Brasil, as trapalhadas de Donald Trump – eleito pela democracia americana -, as palhaçadas dos políticos ingleses, em retirada da Europa, os massacres de índios, a destruição de direitos que muitos acreditavam inalienáveis, as ameaças de guerra, os chavões das mass-media, cada dia mais patéticas, a serviço da alienação em massa. Para re-existir, dançamos. (Marcos Moraes)
INFO
um percurso de descida-dançada em grupo, da Igreja da Gloria até a Igreja de São Cristóvão, com música, verduras e legumes… e Parangolés (capas coloridas que se ativam dançando, inspiradas na obra do artista brasileiro Hélio Oiticica – 1933 – † 1980).
aberto à participação de qualquer pessoa que tenha vontade de participar nesta ação artística, que ocorrerá na 1a semana de julho e integra a programação do festival Pedras 2017
criação: começaremos a preparar/viver esta ideia durante o mês de junho.
1º encontro dia 05 de junho, 2a feira, das 18:30 às 19:30 – local: Largo da Rosa, Marques de Ponte de Lima, para começar a começar: se calhar, pode-se trazer instrumentos (bumbos, pratos, timbales, etc.), panelas e colheres de pau, para batucar, trapos para experimentar, ou simplesmente os corpos.

Marcos Moraes em Lisboa em maio de 2017

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