Espera sublime.
Algures, atravessando espaço-matéria
Enquanto tempo transformando-se momento
Fenómeno co-gerando lugar
Lugar subtil e generoso
demorando-se
em transparências da memória
no aparecimento de um corpo.
Corpo de tonalidades vibráteis
texturas lumínicas
salivares de translucidez.
Sombra de ínfimos reflexos
respirando corpo ao arfar da paisagem
marítima.
Lugar flutuante e sinuoso da espera.
Torso de sereia
sacudindo escamas ao vento
susurrando poemas soltos ao marulhar da maresia
incandescente.
Acompanho pelo ranger do cais
ecos longínquos de baleias
gestos íntimos emersos do fundo deste rio-mar
que continua
de vertigem em vertigem . . .
embalo lancinante de suor e de lágrimas.
Corpo além-aqui-e-agora
Dança fluvial que se (des)faz.
Movimento-esperança
ternura verde das águas que poisa de olhar em olhar
poros ao vento
pele que volteia pelo cheiro-memória de um encontro de sal
tecendo lábios-dança-desejo.
Corpo à beira do aparecimento.

inês.

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