este texto já dançava junto ao pedras mesmo antes de existir como quase-texto

e eu escrevo para ficar mais juntinho de lisboa… lugar onde finalmente pude tranquilizar-me por começar a perceber que as perguntas são assim mesmo: para serem jogadas ao ar.

por aqui, terra marrom acinzentado, as movimentações não cessam… todavia clara pode ficar um pouco mais distante de quilombo, e quilombo um pouco mais distante de clara, pois confiamos que as reverberações de nossos encontros ainda vivem, assim, boiando junto com os plânctons nas águas do rio dom joao..

eu já susurrei um pouco com cris, anunciei um cadinho aqui com uns vizinhos o desejo de estar ainda mais junto de vocês agora no mês de junho e julho… vamos abrindo espaço por onde cabe, mesmo que chegando de ladinho, ouvindo desde então a pergunta do ar… como arriscar-se chegar sem ter ainda bem chegado? sem ainda lançar-se para fora do avião, horas depois de voar acima do oceano amarelo?

(acredito que pode ser mais ou menos parecido com assoprar purpurinas rosas, não sei se são elas que somem no ar ou se é o ar que se envaidece quando delas)

abro a maleta xadrez comprada na feira da ladra, ultima vez que fechei estava no Intendente com Julia me apressando para não atrasar o vôo… me vejo coberta de roupas na chuva e frio batendo guarda-chuvas na rua do Benformoso… a memória é uma maleta que se abre? A memória é a mão que passa no ar e deixa um rasto de vento.. e a gente pode ver esse rasto, pode escutar o vento mudando de direção, pode querer ficar alí um pouquinho mais..

um pouquinho mais

 

clara passaro

salvador lisboa dom joao

 

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