com tanta esvaziação alguém se especializou em conter fachadas

oiço os discursos em torno do direito à habitação, oiço o que se vai fazendo acontecer mundo fora expulsando quem vive num aqui para outro ali ou ali nenhum

vejo a política do imediato a oprimir a possibilidade de acção

lisboa-mundo sendo aprisionada numa estratégia de mercado que não tem sustento

vejo a a angústia do agora sufocada pela incapacidade de atravessar o fechamento dos negócios de armas e drogas e igrejas

não tenho solução

tenho o continuar acreditando na força de aprender…de aprender a ser…enquanto vou sendo…no desajeito de ser

durante muitos anos afinei-me na luta do já e envolvi-me em diversas formas de acção que deram frutos nesse já, neste agora que vai sendo sofia vejo que a  afinação em sofiez está numa camada de fundo, de existência, imagino que seja desesperante para quem está sofrendo por dentro do já a insistência de outros corpos que estão nesse fundo do fundo

insisto na polifonia que não é uma acumulação de camadas mas uma co-existência de diversas formas de existir, co-existir,

não sabemos ouvir o entre corpos, continuamos “demasiado humanos”

sofia

 

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