essas casas, essas todas pequenas casas que a gente carrega nas costas quando anda na rua ou no deserto, casas de andarilho, em bolsas e mochilas, em caixas e memórias dentro e fora de casa, que a gente abre a porta e deixa o outro entrar, eu tiro os sapatos sempre e piso devagar, não piso nas flores caídas na calçada, essas casas que a gente carrega no peito e quando abre uma de suas janelas escorre um tanto assim de vida, uma lágrima e um sorriso, essas casas onde já morei que tinham livros na estante, em português, japonês, espanhol, inglês, francês, mesmo sabendo falar a língua às vezes sem saber ler tudo isso, que tem livros de figura e de poesia, essas casas que levo comigo na rodoviária, no aeroporto, na estação de trem, sempre um bilhete de embarque marcando uma página da clarice, do caio, do julio, da marguerite, da ana c., uma casa que se pergunta quem eu sou, com um tanto de portas abertas e uma música que toca bem baixinho, quase não se ouve quem canta, quem batuca, se é murmúrio ou sussurro, essa casa que é o corpo de pele fina, even more naked than when we are naked, casa de paredes transparentes, casa da minha própria casa

 

Erika, de São Paulo a todos os lugares

Advertisements