em Dom João, os moradores quilombolas ensinam ao mundo um pouquinho sobre habitar.

escrevi esta frase e a testa pousou em si o lapiz segurando meus dedos.. ainda não sei porque me veio tamanha descompostura para com estes quilombolas que tanto amo… é porque por os pés na terra é muito muito bom, mas é que também sentar com eles, com a gente ou com seja lá quem for num banquinho descomposto em cima de uma laje de madeira que ruge-ruge

a laje de madeira que ruge-ruge

olhando o rio que passa abaixo, lamentando as latinhas que boiam, apertando-se para o outro passar porque não cabe muita gente aqui, experimentando o tempo das conversas que carregam a gente no lombo e levam a gente ate elas mesmas… a conversa que vai ate a conversa, a conversa nela mesma, por ser um círculo que roda..

a conversa nela mesma

e andar até a casa de seu zé, chamar seu nome, ganhar queimado de Índia, voltar até Nildes, perguntar pelo almoço, a testa dói quando o sol não faz mais sombra, o chão solta fumacinhas, não mergulhamos no mangue porque é perigoso, Rita cata sururu com o corpo todo rebaixado, Moisés sempre chega atrasado, não fala nada e vai embora cedo..

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de quantas maneiras possíveis podemos preparar este nosso almoço?

de quantas formas diferentes nós nos aconchegamos a noite para o descanso?

de quantos tantos jeitinhos encontramos para celebrar?

com quanta dedicação foi construído esse teto acima de nós?

de quantas brigas abrigamo-nos em nossos lares?

hum… dedos nos olhos… olho pra cima… cabeça inclinada… uma baba que cai… um pé que mexe, plim… encontrar o Outro faz pensar

encontrar o Outro faz pensar.

clara passaro

domjoaolisboasalvador

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