oh o picolé na praça é a possibilidade de fazer rota a qualquer momento
tecla-se à sombra
há quem escreva e pelo fio da escrita ligue-se a mim
segue o menino arrastado pelos braços mãe e ele
POART é o que escreve o brinquedo das letras para mim
o picolé é feito passarinho dali pra cá canta picolépicolé
senta à sombra da árvore, um pouco de conversa enquanto o alarme de um prédio ou de um carro conta e grita de um toque indesejado
sinto que podemos nem perceber que ele agora voltou
enquanto as solas dos chinelos passam por mim
palmeiras, verde grama
um menino que nem tá aqui, mas que passa pela minha lembrança

cheira à cocô, cocô de gente

a beleza dessas árvores é aterradora
atestam a confiança na terra que posso ter. é aqui ou qualquer canto, a exuberância

por mais que reclamemos, aqui se produz sempre ar puro para continuar
e pode-se ficar a praça a curtir os variados alarmes que vibram com o ar

nunca olhei tão de perto este verde
verde, como eu disse antes, amarelado
pessoas tropicais tocam-se o suor
fluem pela pele

água no pé, no rosto, lava entre os dedos o chinelo
aproxima uma fala arrastada e homens viris
o sexo aqui acontece sem querer

praça é quintal dos que sabem parar
dos que não temem o público

caminhantes, retirantes, poiseuntes, mãe com filho, filho sem mãe, a moça do escritório e picolé

 

julia lá

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