me encosto atrás da porta do quarto, porque a bateria do computador está acabando e a tomada é aqui à beira do batente. hoje é aniversário do bernardo e a gente se tocou pela palavra mão

estou preenchida pelo verde amarelado deste brasil que agora habito. me impressiona a natureza a transbordar pelas ruas e avenidas e o som das cigarras e grilos que não param um segundo aqui no bairro onde moro.
a porta que empurra minhas costas é de um quarto antigo, que agora revirado pela minha chegada, é a coexistência de júlias de vários tempos. algo da ocupação e dos gestos casa me permite estar aqui e também em sintra, no cem, ou nas raízes nómadas. os objetos me auxiliam a estender estes lençóis. pelo tempo que estiveram a compor outras paisagens instauram aqui os tecidos que os atravessaram

muita gente tem me perguntado: “como foi em lisboa??”
e meu corpo não entende a pergunta, não percebe o que foi que “foi”, apenas o que continua…
e continua às vezes ainda mais presente aqui
quando fica mais claro o tudo que daí é também eu

a saudade vai se dissolvendo no destempo à medida que mundo vai sendo nosso lugar

amor e abraço

julia

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