até me esqueci que tinha deixado a moto mal parada já que todas as motos de aluguer para turistas podem estar nestes poucos lugares reservados para os cidadãos….e fomos andando rumo ao mercado da ribeira,ou o que ainda resta dele.

poisámos um pouco no jardim da praça d. luis com os seus leões deprimidos, os dedos dos pés das mulheres muito definidos, e os alunos da etic a wonderar por ali durante a semana enquanto o fim de semana deixa respirar quem por ali se demora.

a bela das flores queria estar a conversar conosco, a feia, peixeira linda casada com professor doutor, divertiu-se a ler a fanzine onde aparece, claro, a alice dos alhos achou que estava tão feia como é na fotografia e a fátima dos legumes ficou com nosso número para a plantação que se adivinha na primavera. lá está o que me segredou a nossa margarida esta manhã…por mais que se contorçam as linhas há uma força de vida que perpassa as paredes…se calhar é como o som ou a água.

demorámos na rua da boa vista.

de um lado saem os artistas da rua das gaivotas mas aquele quiosque, bom, aquele quiosque frente à crinabel…

está todos os dias aberto das 7 da manhã às 3 da tarde, aos sábados até às duas e aos feriados fecha.

o cego que vende a sorte para segunda feira diz que faltam 20 para as duas, a mulher das botas que atende no quiosque senta-se a seu lado e diz que lhe dói a mão. ele inclina-se dedicado como quem lhe visse a dor e ela traz-lhe a mão ao pulso na queixa, uma turista mole rodopia debaixo da placa que diz “rua das gaivotas” e finalmente diz que não sabe onde fica a rua das gaivotas.

aí, diz-lhe o cego.

aparece a carolina da casa crinabel da frente, diz-nos que nos ama muito e tem muitas saudades mas tem muitos espectáculos e não consegue parar. igual a todos os que têm muitos espectáculos. são escolhas, não decisões.

subimos à cruz dos poiais e até bolero aparece. mão na mão, inventando a dança, com medo e confiando ao mesmo tempo, a tasca da isabelinha é agora uma matiné dançante.

o senhor ministro que sabe tudo mas mais de copos ainda leva o café à rosa, rosa mãe da isabelinha que vive no silêncio lá em cima de onde vieram os vasos que agora o nicolau despenica retirando as folhas secas.

a rota continua em fluxos difusos até que o luis da crisólita, na rua da prata, se alarga em sorrisos a falar de brilhantes e diamantes. ficou contente que tivéssemos passado palavra sobre o afonso que afinal é zé e cobra 5 euros e 10 por duas bifanas e uma imperial.mas o melhor café do  universo está mesmo ali ao lado….até está calor hoje, se pudesse tinha trazido uns perceves da sónia do mercado num saco de gelo…mas venho de mãos a abanar, como é bom passear

sofia

Advertisements