A especificidade da transparência é deixar passar a luz. A “cor” transparente parece-me, não concorre com as características das outras cores, ela é talvez uma coisa que tendo intimamente a ver com cor, se estabelece num outro universo. No sentido de que quase tudo lhe atravessa e muito pouco é proposto como intervenção. Presenças transparentes deixam aparecer as ligações que as tornam co-presenças. Na procura de sinais, daquilo que se está à procura que aconteça, não é imposta qualquer vibração. Daí ser tão difícil de ser entendida por quem está à procura de coisas para serem vistas. No descuido de quem confunde o invisível com a ausência de acontecimento pode-se tentar tingir o transparente. E então o que era transparente aparece agora com uma cor. Uma cor que não estava na sua pergunta inicial, na sua constituição de transparência. E cores que são sobrepostas à transparência são mais um tampão à própria transparência do que uma vibração de cor. São uma desconsideração desse outro universo, intimamente ligado com o que é visível, mas que não se tece nas mesmas regras…

Quando a cor traz o universo da transparência, é como uma forma que emerge da não-forma, da co-criação, das co-presenças e não da cobertura do informe por formas pré-estabelecidas num mecanismo de ansiedade. A sobreposição da cor ao transparente é visível no mundo do visível, mas é irreal no mundo do real.

margarida

 

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